| Israel Blay z"l |
| Israel - Yom Hazikaron |
|
|||
| Escrito por Administrator | ||||
| Dom, 26 de Abril de 2009 | ||||
|
Amigos escrevem em memoria de Israel Blay Depoimento de Naum Weinberg TANTAS HISTÓRIAS, QUANTAS PERGUNTAS... Em homenagem ao chaver Izo (Israel Blay) morto em combate em Suez. Corria o mês de fevereiro de 1999,quando tive a surpresa de receber uma ligação do Samuel, de S.Paulo, que há muito tempo não via: - Naum, sabia que agora em maio vão fazer uma Peguishá (Encontro) de toda a nossa turma do Machon em Israel?- Poxa, mas que legal! - Pois é, vai ser pra comemorar 40 anos de nossa estada por lá! . . . Putz, 40 anos, será que é mesmo verdade? Será possível que o tempo tenha voado tão rápido, ligeiro e sem aviso? Gente, 40 anos é uma vida! Na época, eu era um fanático pelo movimento, pelas suas idéias e minha identificação adolescente por um ideal não tão adolescente, acontecia de maneira completa na totalidade da minha existência e maneira de ser. E o fato de eu já não estar a muito tempo no "SHOMER", não quer dizer que o SHOMER não esteja em mim: Vivo, presente, contraditório, discutível, questionador, realizador. Optei mais tarde por uma realização pessoal e profissional fora da tnuá e durante anos carreguei o peso de sentir-me um pouco "traidor", pois vivíamos uma mentira essencial na época, admitindo que a aliá era a verdade única e absoluta. Nossa escala de valores era muito rígida, "quadrada" mesmo, mas pelo menos tínhamos uma escala de valores, algo quase impensável para a mutante juventude da pós-modernidade. Será que nos dias de hoje ela não nos pareceria meio "fascista-medieval", ao adotarmos uma espécie de seita, que não admitia contestações e exigia sacrifícios inquestionáveis? (renúncia à família, renúncia a uma profissão de nível superior, renúncia à vida burguesa, ao fumo, ao sexo, aos bailes - tão comuns na época -, à vida pessoal...) Éramos puros e idealistas, com uma certeza inabalável de que iríamos resolver o problema judeu e - quem sabe?- até mesmo da humanidade, num kibutz com bases coletivas e socialistas. Numa época em que o Xá governava a Pérsia, será que nós já conseguíamos ser "xiitas" e sectários conosco mesmo e com nossos melhores chaverim?
As moshavot, machanot, tiulim, hachshará, madrichim, veidot, vaadot, mazkiruiot, as messibot, nosso ken, nossa kvutzá, nossa shichvá, nossa plugá, nossa chultzá kchulá vestida com a anivá, a shmirá, o chodesh hatnuá, a Hanagá Elioná, os mifkadim, os kishutim, a Hanagá Rashit, os seminários, o sionismo, o borochovismo, as escaladas, o inconformismo, aos poucos foram forjando o nosso caráter shomrico. Irretocável. Justo. Correto. Honesto e realizador. Como grupo, porque não reconhecíamos que nosso ideal tinha limites e que a flexibilidade e pluralismo poderiam ter feito parte de um projeto realista para a maioria? Hoje, consigo ver isso com mais clareza e à luz de 2 aspectos bem interessantes: 1. Em que eu pude me tornar nesse tempo? 2. Em que o kibutz pôde se tornar nesse meio tempo? Cada aspecto desses mereceria por si um ensaio inteiro, mas em se tomando as coisas pela média, creio que as constatações de todos que de coração pertenceram ao SHOMER não são muito diferentes. São pontos para se pensar, com conclusões bastante interessantes para todos. Permeando todas as nossas discussões teóricas e o propugnado "coletivismo ideológico”, meus amigos, a gente realmente se realizava. Éramos bonitos, jovens, fortes, corajosos e entre um chazak veematz e outro viajávamos de trem por 24 horas para chegar a São Paulo e comer um bom "Bauru” no Bom Retiro, acampávamos nas florestas, perto dos rios e no topo das montanhas, pegávamos carona até Jacareí e de lá para o Rio de Janeiro, éramos recebidos por chaverim de outros estados em suas casas e não valia a fome nem a falta de dinheiro, desde que nos encontrássemos com nossos bons e malucos chaverim, numa atividade qualquer, em qualquer canto do Brasil. As messibot complementavam a cultura artística e musical que corria em nossas veias e era um acontecimento único para um ishuv identificado e sedento pelo emergente renascimento do ivrit e de Israel. E foi noite e alvorada nos acampamentos... Da primeira vez, meu pai não deixou eu ir para o Machon em Jerusalém, mas no ano seguinte não se importou mais que eu interrompesse os estudos. E aí o mundo todinho se abriu pra mim, numa travessia de novos rumos e horizontes mais belos que o de Belo Horizonte. . . "TEMPO BOM NÃO VOLTA MAIS SAUDADE TODO TEMPO TRAZ" (música de Martinho da Vila) O MIFGASH em Israel serviu para matar saudades. Mas chevre,foi duro. Era uma aula de surrealismo sentar-se em circulo ao anoitecer de tantos anos depois, olhar para todas aquelas cabeças brancas e cantar nossas velhas canções, contar nossas velhas histórias, rever nossas velhas fotografias e nossos ainda mais velhos morim do Machon. Juntar os brasileiros para uma foto, depois pra contar piadas e falar mal dos argentinos... Mas também dar-se conta de que todos evoluíram nas mais diversas direções e de que principalmente O MUNDO evoluiu. Exigindo de nós posturas "PÓS-POKEMON" e um compromisso inquestionável com os novos meios de comunicação virtualmente globalizados. Quando me lembro de que nenhum de nós telefonou para os pais durante um ano em Israel- simplesmente por se constituir numa quase impossibilidade me vem à mente uma carruagem ao lado de um foguete espacial... Fui professor universitário durante mais de 20 anos e ministrei, entre muitos outros, cursos de "CRIATIVIDADE" para estudantes, empresários, organizações, grupos de liderança, etc. Desconfio hoje que enveredei por esse caminho ainda na tnuá,enxergando o diferente e o original como GERADOR da liberdade de ser, ao invés de se constituir num obstáculo que nos impede de ser e de se realizar. Chazak Veematz! Naum Weinberg
|
||||






































