| AS RUAS DE ISRAEL |
| Israel - Yom Hazikaron |
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| Escrito por Sheila Sacks | ||||
| Dom, 26 de Abril de 2009 | ||||
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A Yanir Gandelsman, que não voltou As ruas de Israel estão desertas. O dia acorda, escova os dentes e se apresenta. Mas ninguém comenta, ninguém se prepara, se enfeita, festeja. O dia hoje não é presente, é armadilha de gente. As ruas de Israel estão desertas. Nem o passarinho postado no galho desmente. No alto, encravado como uma espinha de face amarela, o sol se aponta e desponta: broto. girassol, cogumelo. As ruas de Israel estão desertas. Não se vê crianças, jovens, velhos. O dia já se vestiu e de capacete e fuzil faz da continência usual gesto. Pelas ruas, solitário pedestre, só o quente vento das dunas aparece. As ruas de Israel estão desertas. Do riso das crianças, nem sombra, da alegria dos jovens, nem traço. Em casa o choro é guardado no armário do quarto. No templo a reza é amuleto que vale dobrado. Outra vez, filho pródigo, o flagelo da guerra está de volta. As ruas de Israel estão desertas. Do canto, da dança, nem lembrança. O som agora é outro, haja ouvido para tanto. Da veste colorida, fantasia, fita na testa, nem vestígio. No figuro da guerra não cabe camiseta, tênis, chinelo. As ruas de Israel estão desertas. Quanta tristeza, quanta dor! Foram-se meus meninos levados, inquietos rapazes das praças e bares. Garotos alegres que enchiam de risos as noites e esquinas dos bairros. As ruas de Israel estão desertas. Só restou, marcado nas pedras, o silêncio pesado das coisas passadas. Psiu... falem baixo, quero ouvir nas calçadas, o som da saudade. As ruas de Israel estão desertas. Do outro lado da terra, o locutor de paletó e gravata fala de uma guerra de tanques e aviões. Usa jargão de jornal, impessoal, mas eu sei que soldado tanto é filho como pai. As ruas de Israel estão desertas. Nos gabinetes e salões a diplomacia fervilha em debates e sanções, sem ao menos entender que hoje, como antes, carbono do que foi, do que era, meus meninos estão na guerra. (Publicado no suplemento Campus, do jornal Resenha Judaica, em agosto de 1982, durante a guerra de Israel com o Líbano)
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