| A agitação do “dia do descanso” em Jerusalém |
| Colunas - Bruno Felberg |
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| Escrito por Bruno Felberg | ||||
| Seg, 30 de Março de 2009 | ||||
Ironicament e, passar um Shabat - dia do descanso dos judeus - em Jerusalém chega a ser um pouco cansativo. Arrumar a casa para possíveis convidados, cozinhar / comprar as comidas, voltar para casa a tempo de conseguir entrar o ônibus (para aqueles que não têm carro),... Mas não há nada igual a um Shabat em Jerusalém.
A cerimônia começa bem antes de sexta-feira. Na quarta-feira, as pessoas já começam a planejar o lugar onde passar os dois dias sagrados, ou quem elas irão receber, possivelmente, em sua casa nesses dias. Sabido isso, é hora de ir às compras. A grande maioria vai à Machané Yehuda, um grande mercado com centenas de barracas / lojas vendendo de tudo: frutas, verduras, frutos do mar, carnes, pães, doces, frios, acessórios para casa,... Uma grande variedade de sons, cores e sabores e odores. Quanto mais próximo do Shabat, mais cheio e mais barato o mercado fica.
Feitas as compras, é hora de voltar pra casa. Quem deixa pra retornar perto do início do Shabat sofre um pouco. Os pontos de ônibus, e conseqüentemente os mesmos, ficam lotados, já que eles param de circular por volta de 15h30 de sexta até 18h30 de sábado. A outra opção, pra quem não mora muito longe do mercado, é ir caminhado pelas ruas - muitas vezes, ladeiras - de Jerusalém. Já em casa, chega o momento de se arrumar e, para os que moram perto, ir ao Kotel Hamaravi rezar. É interessante ver a mistura que acontece no Muro das Lamentações. Vê-se turistas, religiosos, ultra-ortodoxos, rabinos, soldados, judeus de um modo geral,... Tanta gente diferente numa atmosfera única que é estar no Kotel. Há também outro jeito de se passar o Shabat - em uma Yeshivá (instituição ortodoxa de ensino judaico), experiência vivida por este que vos escreve. A grande diferença é justamente o momento em que se sai da Yeshivat Hakotel (localizada a 5 minutos do Muro). Depois de fazerem a Minchá (reza da tarde), todos saem da Yeshivá rumo ao Kotel abraçados, dançando e cantando. Para os turistas, é o momento certo de fazer algumas fotos ou vídeos. Para os alunos, um momento de grande alegria. Para se ter uma idéia de como é a reza de Shabat no Kotel, imagine 50 mini-sinagogas, uma ao lado da outra. Há minyans que fazem uma reza mais rápida, outros mais devagar, alguns preferem a reza mais cantada, outros nada cantada, têm gente que gosta de um pouco de cada,... Do jeito quer for, o mais importante é que, rápidos, lentos, cantados ou não, os pedidos e os agradecimentos são os mesmos. Voltando à Yeshivá, o sábado começa cedo. Às 08h, é hora de se levantar e ir fazer a Shacharit (reza da manhã). Como - segundo as leis judaicas, respeitadas rigorosamente pelos mais religiosos - não se pode comer antes da reza, é comum o almoço começar por volta de 10h30, 11h da manhã (há pessoas que desejam rezar vendo do Muro o sol nascer e almoçam às 07h30, 08h). Depois, já que é o "dia do descanso", nada melhor que dormir um pouco durante a tarde. Horas depois, faz-se Minchá, Arvit (reza da noite) e Havdalá, cerimônia que marca o fim do Shabat. Fim de Shabat, fim de mais uma visão desta carioca que está conhecendo o dia-a-dia de Israel. Até semana que vem. Shavua Tov e Lehitraot!!!
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